Ninguém o diz muito, mas acontece a muita gente: a meio de uma viagem, a cidade que antes parecia fascinante começa a ficar cinzenta. As igrejas parecem todas iguais, as ruas repetem-se e a vontade de ver mais desaparece. Isto não significa que a viagem esteja a correr mal. É um cansaço natural de quem recebe muitos estímulos ao mesmo tempo, e pode ser resolvido com pequenas mudanças de rumo.
Mudar de ritmo, não de destino
Primeiro, para. Muitas vezes o tédio é só cansaço disfarçado. Volta ao alojamento, descansa, dorme uma sesta ou fica a ler. Aceita que não é obrigatório aproveitar cada minuto. Um dia mais calmo pode devolver-te a energia e a curiosidade que já não sentias. Quando voltares à rua, sai com menos objetivos e mais vontade de deixar as coisas acontecer. Quem viaja devagar costuma ver mais do que quem corre.
Muda o tipo de atividade. Se andaste muito em monumentos, vai a um mercado ou a um jardim. Se estiveste sempre em movimento, passa uma tarde sentado numa esplanada a ver a vida passar. Experimenta caminhar numa direção diferente, sem mapa, ou entrar numa loja pequena onde nunca entrarias. As pequenas surpresas costumam reacender o interesse mais depressa do que uma atração famosa.
Faz algo criativo. Desenha a fachada de um edifício, escreve um pequeno texto sobre o que vês, tira fotografias só de portas ou só de cores. Dar um propósito simples ao olhar transforma um passeio banal numa pequena aventura. Podes também conversar com alguém do lugar: perguntar a um vendedor ou a um vizinho o que ele faria hoje. As respostas costumam ser surpreendentes.
Por fim, liga a alguém em casa. Contar o que estás a viver ajuda a ver a viagem com outros olhos, e por vezes basta explicar uma coisa a alguém para voltares a achá-la interessante. Aceita também que nem todos os dias têm de ser extraordinários. Um dia banal faz parte da viagem, tal como um dia perfeito, e amanhã tudo pode voltar a ter cor.